5 erros que você pode evitar

Publicado: 09/02/2018

Cerveja é um produto de largo consumo no Brasil, um país de clima quente e gastronomia diversificada. Em nosso país sempre se consumiu a cerveja como produto de hidratação, onde o que importa é poder repor a água que nosso corpo perde com o calor. Nossos pratos típicos, como o churrasco e a feijoada, também pedem cervejas leves e de baixo teor alcoólico, mais fáceis de serem bebidas em grandes quantidades. Por isso as grandes cervejarias sempre focaram nas pilsen, pale lager e american lager

Mas o mundo das cervejas vai bem além das lagers de mesa. Há literalmente dezenas de estilos de cervejas, que se organizam em familias de produtos definidas pela fórmula e técnica de fabricação

Quem está começando no mundo das cervejas fica meio perdido nessa confusão de estilos, adjuntos, lúpulos, maltes e tudo mais. Claro que não há forma melhor de se aprender do que ir experimentando, descobrindo o que agrada e aperfeiçoando o paladar. Evitar alguns erros básicos pode facilitar esse processo. Nosso mestre abade aponta os 5 erros mais comuns:

1. A cerveja mais cara é a melhor: nada mais distante da realidade. O preço da cerveja muitas vezes está relacionado com aspectos como pequena escala de produção ou tributação exagerada (no Brasil a tributação é diferente por cervejaria e tipo de cerveja). Há cervejas caras e ruins feitas por micro-cervejarias bem pouco estruturadas e cervejas excepcionais feitas por grandes conglomerados com preços bem razoáveis

2. Julgar a cerveja no primeiro gole: a cerveja vai se revelando aos poucos no paladar. Existe a sensação inicial de quando o liquido toca na ponta da lingua. Existe o chamado retrogosto, o paladar que perdura depois que você a engole. O sabor vai mudando à medida em que o liquido se aquece na boca. As próprias papilas vão se ajustando ao produto à medida em que você o sorve. A melhor indicação do abade é: beba devagar um copo inteiro. E tome novamente a cerveja alguns meses depois. 

3. Misturar estilos muito diferentes na mesma degustação: degustação aqui é entendida como tomar uma garrafa toda, e não apenas o fundo de copo para ter um primeiro contato com o produto. Há dois problemas com ficar trocando de estilo. O primeiro é que cervejas de paladar forte matarão as cervejas de paladar suave. É preciso começar pelas mais suaves e dar um tempo entre uma garrafa e outra. O segundo problema é que a maioria das pessoas enjoa se ficar trocando de estilo com frequencia. A sugestão do abade é que se foque em uma única familia de produtos. Exemplo: stouts e porters são primas irmãs e há muitas subdivisões dentro desta familia. Dá para experimentar uns 10 estilos diferentes sem sair do mundo das porters e stouts

4. Resfriar demais cervejas escuras ou de alto teor alcoólico: a temperatura certa de servir a cerveja não é definida pela cor ou teor alcoólico mas, como regra geral, as escuras e alcoólicas pedem as chamadas temperaturas de adega (entre 10 e 14 graus). Resfriar demais um produto tira o sabor dele. Pilsens e outras cervejas de hidratação são tomadas geladas porque elas tem paladar suave, que é pouco afetado pela temperatura. Mas tomar uma trapista ou uma imperial stout gelada é um sacrilégio igual ao de se comer uma moqueca com ketchup. Não faça nenhum dos dois, por favor

5. Confundir cervejas de hidratação com cervejas de degustação: e aqui voltamos ao começo. O churrasco e a feijoada pedem uma pilsen bem gelada, que você irá tomar a vontade, com seus amigos e familiares. Um fondue a noite, em boa companhia, pedirá uma Dunkel ou uma Marzen, sorvida em goles delicados. Cada cerveja tem seu espaço 

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